Guterres condena decisão de Israel de instalar infraestruturas militares no complexo da ONU em Jerusalém Oriental

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou de forma veemente a decisão das autoridades israelenses de instalar infraestruturas militares no complexo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente em Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental. Numa declaração divulgada pelas Nações Unidas, Guterres considera-se atualmente a medida “sem precedentes” e acusou-a de violar a inviolabilidade das instalações da organização.

Segundo a ONU, o complexo foi apreendido pelas autoridades israelenses em janeiro deste ano, mas continua juridicamente a ser considerado propriedade das Nações Unidas. Para o secretário-geral, a utilização militar do local compromete diretamente o mandato atribuído pela Assembleia Geral das Nações Unidas à UNRWA para prestar assistência à população palestiniana em territórios ocupados, incluindo Jerusalém Oriental.

A tensão em torno da agência das Nações Unidas intensificou-se nos últimos meses. Em Janeiro, a organização já tinha condenado a demolição parcial do complexo de Sheikh Jarrah pelas forças israelenses utilizando maquinaria pesada. Na altura, António Guterres apelou à interrupção imediata das demolições e planejou a restituição das instalações à ONU.

Na nova declaração, o secretário-geral registou também o entendimento jurídico do Tribunal Internacional de Justiça, que determinadas determinadas medidas ilegais relacionadas com a presença israelita nos territórios palestinos ocupados. Segundo essa posição, Israel não deverá exercer poderes soberanos nesses territórios e deverá terminar a sua presença considerada ilegal “o mais rapidamente possível”, incluindo em Jerusalém Oriental.

Perante este novo desenvolvimento, António Guterres voltou a pedir ao Governo de Israel que revertasse a decisão e devolvesse imediatamente o complexo de Sheikh Jarrah às Nações Unidas. O episódio surge num contexto de pressão crescente sobre as operações da UNRWA, cuja atividade continua a ser central na assistência humanitária a milhões de refugiados palestinos na região.

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