Na sequência de uma infiltração terrestre ilegal por parte das forças militares Israelitas na aldeia de Blida, no sul do Líbano, na madrugada da passada quinta-feira, que culminou no assassínio de um funcionário Libanês da câmara municipal local, o Presidente do Líbano Joseph Aoun deu ordens ao seu exército para responder a qualquer agressão Israelita nas zonas fronteiriças. Esta medida é inédita e foi implementada pela primeira vez desde o início do cessar-fogo, acordado entre Israel e o Líbano em Novembro do ano passado.
O exército Israelita entretanto lançou mais ataques aéreos em diversas localidades no sul do Líbano durante o dia de quinta-feira e ameaçou escalar as agressões contra o Hezbollah, que Tel Aviv acusa de prosseguir os seus esforços de reforçar-se militarmente. Estas ameaças foram reforçadas pelo Gabinete de Segurança Israelita, que efetuou uma reunião onde contemplou intensificar a pressão sobre o grupo xiita através de ataques futuros em território Libanês.
A perspetiva da região assistir a mais uma guerra de elevada escala é também corroborada pelo enviado especial norte-americano Tom Barrack, que avisou o governo Libanês que já não resta mais tempo ou espaço de manobra para negociações diplomáticas com Israel, muito devido ao impasse no desarmamento do Hezbollah.
Contudo, o executivo liderado por Joseph Aoun tem-se mostrado gradualmente impaciente com as violações do cessar-fogo por parte de Israel (que conta com mais de 4 mil infrações) e reagiu de forma irredutível à execução do funcionário público de Blida ao ordenar o envio de reforços militares e o estabelecimento de novas posições do exército Libanês nas aldeias do sul do Líbano.
Porém, esta medida poderá despoletar uma reação ainda mais agressiva por parte das forças Israelitas que agora ameaçam iniciar uma nova guerra geral contra o Líbano. De acordo com alguns órgãos de comunicação social de Israel, o executivo de Benjamin Netanyahu terá pedido a Washington permissão para escalar as agressões contra o Líbano, sob o pretexto de que o Hezbollah não só não se está a desarmar mas encontra-se numa posição militar vantajosa para atacar Israel em breve.
João Sousa, a partir do sul do Líbano para a e-Global