Israel ameaça permanecer no Líbano para lá do cessar-fogo

O Primeiro-Ministro cessante libanês, Najib Mikati, em declarações recentes, confirmou que Israel tenciona permanecer em determinadas áreas no sul do Líbano após a data prevista para o fim do cessar-fogo.

Esta informação foi emitida pelo Gabinete de Segurança Israelita, que indicou que a implementação dos termos do cessar-fogo, acordado a 27 de Novembro do ano passado com duração de 60 dias, e do posicionamento do Exército Libanês nas zonas fronteiriças está a levar mais tempo do que o previsto.

O acordo, mediado pelos EUA e França, é suposto ter o seu fim na próxima segunda-feira, altura em que é esperado que as forças Israelitas evacuem totalmente do território Libanês e que o Hezbollah retire todos os seus combatentes do sul do Líbano.

O grupo xiita, financiado pelo Irão, ameaçou que irá retomar as hostilidades contra as forças Israelitas caso estas ainda estejam presentes dentro do Líbano após a próxima segunda-feira. O Hezbollah apelou ainda ao governo Libanês para colocar pressão sobre os mediadores do acordo para que estes consigam persuadir o executivo de Benjamin Netanyahu a evacuar após a data prevista.

Entretanto, Israel continua a violar os termos e condições do cessar-fogo, através de bombardeamentos, detonações e escavações de casas e infraestruturas civis no sul do Líbano, dificultando assim o regresso dos cidadãos libaneses às suas residências e rotinas laborais e escolares.

As agressões Israelitas têm também dificultado o trabalho do Exército Libanês, da Defesa Civil e da FINUL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) em aceder com segurança a certas áreas afetadas pela guerra e encontrar e recuperar corpos de vítimas. Para além disto, os constantes ataques Israelitas durante o período deste cessar-fogo têm causado bastante receio entre as populações no sul do Líbano de que a guerra possa voltar a escalar – apesar do otimismo generalizado do povo Libanês após as recentes nomeações do Presidente da República e do Primeiro-Ministro no início deste ano.

Finalmente, há ainda suspeitas de que estas agressões militares e a insistência em permanecer no Líbano para lá do prazo do cessar-fogo por parte de Israel sirvam para impor a criação de uma zona-tampão na fronteira e gradualmente expandir o território Israelita para norte; este objetivo já foi sugerido por vários líderes militares Israelitas como Ori Gordin e Amir Avivi, que defendem a implementação de uma zona neutra dentro do Líbano para garantir a ausência de qualquer ameaça do Hezbollah.

João Sousa, e-Global

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