Israel prepara-se para uma ofensiva no Líbano

Herzi Halevi, o Chefe do Estado-Maior de Israel, anunciou, na sexta-feira passada, que as forças militares israelitas estão a preparar medidas operacionais para uma ofensiva de grandes dimensões em território libanês.

Estas declarações vieram na sequência da visita mais recente de Halevi à região Norte de Israel, onde continuam a ser registados ataques diários do Hezbollah contra infraestruturas militares israelitas, impossibilitando o retorno de mais de 100 mil civis às suas residências nas zonas do Norte do país.

Os planos anunciados por Halevi estão alinhados com as mais recentes declarações do Ministro da Defesa Yoav Gallant, que indicou que o Hamas já não é considerada uma força militar organizada em Gaza e que portanto as operações estratégicas passarão a ser focadas na frente Norte contra o Hezbollah, incluindo uma possível invasão terrestre no Líbano.

Entretanto, o grupo xiita liderado por Sayyed Hassan Nasrallah intensificou ataques aéreos contra Israel, com o lançamento de inúmeros drones suicidas durante os últimos dias. Na segunda-feira, dois destes drones conseguiram entrar em áreas residenciais e uma deles atingiu um prédio, embora sem casualidades civis.

Na noite de terça-feira, o Hezbollah lançou mais uma série de drones que atingiram o aeroporto de Rosh Pinna e o quartel-general militar em Ami’ad, expondo fraquezas nos mecanismos de defesa israelitas em detectar e impedir as incursões aéreas destes drones. Desde há quase uma semana, sirenes têm constantemente ecoado em várias cidades israelitas no norte e milhares de civis têm permanecido dentro de abrigos durante as ofensivas do Hezbollah.

Estas operações do grupo xiita têm sido particularmente intensificadas após os assassínios de três voluntários libaneses da Defesa Civil, mortos no sábado passado após um ataque de um drone israelita na região de Froun, no Sul do Líbano, quando estavam a tentar extinguir um incêndio numa zona que tinha sido bombardeada por Israel na noite anterior.

Mas as ofensivas israelitas não têm estado apenas focadas no sul do Líbano ou em Gaza; em finais de agosto, Israel orquestrou a maior invasão na Cisjordânia desde 2002, numa operação que durou 10 dias e causou dezenas de mortos entre a população civil. Na noite de segunda-feira lançou ataques a partir do espaço aéreo libanês contra um centro de pesquisa científica em Masyaf, na Síria, causando danos materiais consideráveis e matando pelos menos 16 pessoas.

Mas o executivo de Benjamin Netanyahu não está apenas envolvido em diversas frentes de batalha; internamente, o governo tem sido pesadamente criticado pela população civil. Nos últimos dias, mais de meio milhão de manifestantes israelitas invadiram as ruas de Tel Aviv, exigindo um cessar-fogo com o Hamas para possibilitar o resgate dos reféns israelitas retidos na Faixa de Gaza. Porém, Netanyahu tem recusado qualquer acordo e negociação com o Hamas, sugerindo que os reféns são descartáveis – uma posição bastante criticada por alguns membros do seu executivo e pela própria Mossad.

Os próximos dias poderão ser críticos para uma decisão final nos planos de invadir o Líbano, embora uma operação desta escala implicará graves consequências para Israel e a sustentabilidade do governo de Netanyahu.

João Sousa, e-Global

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

A GEOMETRIA DO PODER: ORMUZ como Eixo do Mundo

“Se o mundo fosse um anel de ouro,...

0

Guerra no Médio Oriente pressiona economia global e eleva riscos de inflação

A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo...

0

Líbano: População sente-se “assustada, com raiva”, face aos bombardeamentos, diz trabalhadora humanitária

A responsável de projetos da Fundação AIS no...

0