As Nações Unidas manifestaram profunda preocupação com o agravamento da situação humanitária no Líbano, na sequência da intensificação dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, apesar da recente prorrogação do cessar-fogo. Milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas nos subúrbios do sul de Beirute e noutras regiões do país, aumentando o número de deslocados e a pressão sobre os serviços de assistência humanitária.
Segundo as agências da ONU, muitas famílias fugiram transportando apenas os bens essenciais, enquanto outras regressaram a abrigos temporários devido ao receio de novos ataques. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) alertou para o aumento do medo e da incerteza entre a população civil, reiterando que os civis e as infraestruturas civis não devem ser alvo de operações militares.
A coordenadora especial das Nações Unidas para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, afirmou que o sofrimento da população continua a agravar-se à medida que a violência se intensifica. A responsável sublinhou que qualquer tentativa de gerir ou conter a escalada representa um risco elevado, cujos custos recaem sobretudo sobre pessoas que já enfrentam enormes perdas e dificuldades.
Desde o início da actual vaga de confrontos, em março, mais de 3.400 pessoas terão perdido a vida e mais de 10 mil ficaram feridas, segundo dados das autoridades de saúde libanesas. A crise também afectou o sistema de saúde, com vários ataques registados contra estruturas e profissionais do sector, agravando as dificuldades de assistência às populações mais vulneráveis.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou ainda para uma crescente insegurança alimentar, estimando que cerca de 1,24 milhão de pessoas não tenham acesso suficiente a alimentos. Com mais de um milhão de deslocados, a organização já prestou assistência a centenas de milhares de pessoas através da distribuição de refeições, cabazes alimentares e apoio financeiro de emergência, apelando à comunidade internacional para reforçar o financiamento e garantir o acesso humanitário às zonas afectadas.