Líbano e Israel em contagem decrescente para uma possível guerra total

O Médio Oriente tem vivido tempos de elevada tensão e ansiedade enquanto a região espera pelas retaliações do Irão e do Hezbollah contra Israel, anunciadas há mais de duas semanas como resposta aos assassínios do alto comandante do Hezbollah, Fuad Shukr, e do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, respectivamente em Beirute e em Teerão.

Desde então, o Irão prometeu organizar um ataque devastador contra o estado Israelita, potencialmente em coordenação com o Hezbollah e com os Houthis, ambos financiados pelo regime de Teerão. Esta ameaça causou pânico geral na região, nomeadamente no Líbano, onde centenas de famílias decidiram sair do país (incluindo membros da Diáspora Libanesa a passar férias de Verão), com medo de serem afectadas por uma guerra total.

Diversas companhias aéreas cancelaram ou adiaram os seus voos para Beirute e Tel Aviv, e os voos que ainda estão disponíveis tiveram os respectivos preços inflacionados, tornando quase impossível para a maioria das famílias libanesas médias pagar para fugir do seu país.

Várias embaixadas avisaram os seus cidadãos a sair do Líbano com urgência máxima e alguns países prometeram organizar evacuações de emergência, que terão de ser efectuadas a partir do aeroporto de Beirute ou do porto de Jounieh (a alguns quilómetros de distância norte da capital libanesa), caso Israel bombardeie e neutralize o aeroporto.

Entretanto, muitos libaneses começaram a organizar as suas evacuações internas da capital para localidades nas montanhas (historicamente alternativas mais seguras do que permanecer em Beirute ou no sul do Líbano). Contudo, graças aos níveis de procura em regime de emergência, as rendas sofreram aumentos drásticos nestas áreas, nalguns casos com valores a superar 2,000 dólares por mês.

A espera prolongada pela retaliação Iraniana tem criado bastante especulação entre a população Libanesa sobre a escala do ataque e possível contra-ofensiva Israelita e dos efeitos devastadores para o Líbano.

O Governo Libanês publicou um plano com estimativas pouco animadoras: caso haja uma guerra total, o Líbano terá cerca de um milhão de civis forçados a fugir das suas residências e necessitará de mais de 300 milhões de dólares para ajuda humanitária. Haverá também falta de combustível e electricidade, e limitações nas telecomunicações num conflito brutal que poderá durar mais de 3 meses.

Entretanto, as tensões regionais têm-se acentuado com, por um lado, o envolvimento da Rússia, que tem enviado apoio militar ao Irão, e, por outro, com a presença de navios de guerra Norte-Americanos e Britânicos no Mar Mediterrâneo.

Dada a intensidade da situação corrente, o Qatar e o Egipto decidiram convocar uma reunião para o dia 15 de Agosto com o o intuito de impor uma solução de cessar-fogo em Gaza (e por extensão atenuar o conflito entre Israel e o Líbano) e persuadir o Irão a não atacar Israel. Esta reunião terá ainda a participação dos EUA, Reino Unido e representações oficiais da União Europeia.

Contudo, não há garantias que Israel e o Hamas aceitem os termos apresentados, ou que o Irão e o Hezbollah cancelem as retaliaçãos prometidas contra o estado Israelita; no últimos 10 meses, o executivo de Benjamin Netanyahu tem sistematicamente rejeitado qualquer proposta de cessar-fogo e de trocas de reféns com o Hamas e o governo Iraniano terá de demostrar ao seu povo (e aos seus inimigos) que tem capacidades militares suficientes para ser levado a sério neste conflito.

João Sousa, e-Global

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