A guerra no Líbano teve um impacto devastador sobre as crianças, com efeitos que persistem mesmo após o cessar-fogo de novembro de 2024, aponta um relatório da UNICEF.
O conflito forçou deslocações, destruiu escolas e hospitais e afetou gravemente a saúde mental infantil. Uma pesquisa da organização revelou que 72% das crianças ficaram ansiosas ou nervosas durante a guerra, e 62% apresentaram sinais de depressão.
Apesar de alguns sinais de melhoria, muitas ainda sofrem com traumas prolongados.
A crise alimentar intensificou-se, principalmente em Baalbeck-Hermel e Bekaa, regiões fortemente bombardeadas.
Em Baalbeck-Hermel, 51% das crianças menores de 2 anos vivem em pobreza alimentar severa, enquanto em Bekaa o índice subiu para 45%, contra 28% em 2023.
Por outro lado, quase metade das crianças em Bekaa e um terço em Baalbeck-Hermel, não comeram, ou fizeram apenas uma refeição no dia anterior à pesquisa.
A educação também sofreu um colapso. Mais de 500 mil crianças já estavam fora da escola antes da guerra, devido à crise económica e às greves de professores.
Com escolas destruídas ou usadas como abrigos para deslocados, 25% das crianças continuam sem frequentar as aulas, contra 65% durante o conflito.
O custo do transporte, material escolar e mensalidades impede muitos de voltarem às salas de aula.
A UNICEF pede apoio internacional para enfrentar esta crise e solicita US$ 658,2 milhões para fornecer assistência humanitária a 2,4 milhões de pessoas no país.
“O Líbano precisa de ajuda urgente para reconstruir sua infraestrutura e garantir um futuro para suas crianças,” afirmou Akhil Iyer, representante da organização.