No Sábado passado, o Secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, fez um discurso em direto, no qual acusou o Ministro dos Negócios Estrangeiros Libanês, Joe Rajji, de agir de acordo com a “posição Israelita” e de “pôr em perigo a paz civil”. Estas acusações vêm no seguimento de afirmações recentes por parte de Rajji, que geraram controvérsia quando o Ministro disse que as armas do Hezbollah dão legitimidade a Israel de atacar o Líbano.
Segundo Qassem, Rajji tem demonstrado uma posição clara contra a política do Governo e o mandato Presidencial e de “conceder a Israel o direito de atacar o Líbano”, como objetivo de arrastar o país para uma guerra civil. Qassem realçou que o Governo Libanês tem a responsabilidade de lidar com “esta anomalia chamada Ministro dos Negócios Estrangeiros”, a quem acusou de não representar a posição do Líbano, apelando ainda à destituição de Rajji, ao seu silêncio ou ao seu alinhamento com o que descreveu como a posição nacional. “Uma das razões para o fraco desempenho do Governo é a ausência de um Ministro dos Negócios Estrangeiros que defenda as exigências do Líbano”, rematou Qassem.
O Secretário-geral do grupo xiita, que se mantêm irredutível na oposição da entrega total das suas armas ao Estado Libanês, avisou que “minar a estabilidade do Líbano e a resistência, como componente essencial do país, afetará todos. Não restará pedra sobre pedra e ninguém será poupado”, avançando ainda que “se esta resistência, esta base social e estas pessoas não forem preservadas, e se não estivermos todos unidos, ninguém sobreviverá.”
A questão do desarmamento do Hezbollah continua a ser um ponto contencioso interno, apesar do sucesso por parte do Exército Libanês na remoção das armas nas zonas a sul do Rio Litani – e que prosseguirá com as suas operações em mais quatro etapas a partir de Fevereiro no resto do país. Segundo Qassem, o grupo xiita continuará na posse do seu arsenal a norte do rio, argumentando que “se não tivermos armas e não nos defendermos, quem garante que Israel não violará cada centímetro do solo Libanês?”, finalizando com a promessa de que “a resistência permanecerá, e o Líbano não ficará sem ela.”
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir de Beirute