Segundo a ONU, pelo menos 330 pessoas foram mortas pelas suas forças Israelitas no Líbano no espaço de um ano durante o cessar-fogo acordado entre Israel e o Estado Libanês e mais de mil civis ficaram feridos.
O acordo foi mediado pelos EUA e a França no dia 27 de Novembro de 2024 após uma guerra que fez mais de 4 mil mortos, pelo menos 11 mil feridos e mais de um milhão de pessoas internamente deslocadas. Na altura, este acordo de cessar-fogo trouxe esperança aos Libaneses e a promessa que haveria um período de paz para permitir a reconstrução de residências e espaços comerciais, e o retorno dos civis entretanto desalojados. Contudo, Israel recusou evacuar as suas tropas das posições dentro do Líbano ao longo da fronteira no sul Libanês, expandiu a sua ocupação ilegal e continuou bombardeamentos quase diários, num total de 10 mil violações do cessar-fogo.
Durante este ano, e apesar do novo governo Libanês e as suas iniciativas contínuas de desarmar o Hezbollah e de estabelecer uma possível normalização com Israel, Tel Aviv tem-se mostrado irredutível em prosseguir com as agressões em solo Libanês, posição reforçada pelo mais recente ataque aéreo Israelita num bairro residencial em Beirute, que causou 5 mortos, incluindo o alto comandante do Hezbollah, Haytham Ali Tabatabai. Estes bombardeamentos foram interpretados como uma provocação por parte de Israel para pôr pressão sobre o Hezbollah a retaliar e, desta forma, legitimar uma resposta militar devastadora contra o Líbano.
Entretanto, os EUA avisaram o governo Libanês que este terá até ao final do ano para desarmar por completo o grupo xiita, caso contrário, Washington dará luz verde a Israel para lançar uma nova guerra no Líbano. Segundo o Exército Libanês, 80% das armas do Hezbollah foram removidas e neutralizadas nas zonas a sul do Rio Litani (tal como prometido nas alíneas do cessar-fogo). Porém, Israel insiste que, de acordo com a vigilância diária que os seus drones têm efetuado ilegalmente no espaço aéreo Libanês, o Hezbollah continua a reforçar-se e a preparar um ataque contra o Estado de Israel.
À medida que o prazo para o desarmamento completo do Hezbollah se aproxima, as tensões internas vão crescendo no Líbano; pelo menos 64 mil pessoas continuam internamente deslocadas e sem poder retornar às suas residências, diversas vilas ao longo da fronteira com Israel estão completamente destruídas (e muitas delas sob ocupação militar Israelita, que recentemente construiu um muro de separação em território Libanês que torna 4 mil metros quadrados inacessíveis à população local) e inúmeros negócios permanecem paralisados e sem garantia de poderem ser retomados, especialmente se houver uma nova guerra no Líbano.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano