Cerca de uma semana após a sua aparição pública na Praça dos Mártires no centro de Beirute para comemorar o 21° aniversário do assassínio do seu pai, o líder do partido Movimento do Futuro, Saad Hariri, continua a consolidar as suas intenções de se candidatar às próximas eleições parlamentares.
No seu discurso solene no dia 14 de Fevereiro, em frente a milhares de apoiantes do seu partido, Hariri afirmou de forma incisiva que “os cidadãos libaneses têm o direito, após anos de guerras, de ter um país, um exército e uma arma” – sendo este último ponto uma referência ao monopólio de armamento destinado ao Estado e não a grupos armados como o Hezbollah.
Hariri acrescentou ainda que nas próximas eleições (em teoria, agendadas para Maio deste ano), “as nossas vozes serão ouvidas”, rematando com a mensagem “digam-me quando serão as eleições e eu dir-vos-ei o que o Movimento do Futuro fará”. Hariri apelou ainda à união estatal, relembrando que o projecto do Movimento do Futuro é “um Líbano, o Líbano em primeiro lugar”, salientando que “a plena implementação do Acordo de Taif significa permitir ao Estado o monopólio das armas, a descentralização administrativa, a abolição do sectarismo político, a criação de um Senado e o total compromisso com os acordos de cessar-fogo.”
O líder reafirmou ainda o compromisso do seu partido político com a unidade Árabe e que planeia reforçar a aproximação aos seus aliados na região, inclusive a Síria, que Hariri realçou ser uma peça fundamental para a estabilidade regional.
A multidão, reunida à volta do líder sunita, manifestou claro entusiasmo após as palavras galvanizadoras de Hariri, após uma ausência política relevante de praticamente 4 anos. Diversas figuras partidárias, diplomáticas e religiosas visitaram também o túmulo de Rafik Hariri, ex-primeiro ministro Libanês, assassinado no dia 14 de Fevereiro de 2005 em Beirute, cujo mausoléu se encontra perto da Praça dos Mártires.
A promessa da participação eleitoral de Hariri foi bem recebida pelo atual governo Libanês, com o Presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam a elogiar Rafik Hariri e o seu legado político na período pós guerra civil.
Ainda na semana passada, Saad Hariri iniciou uma série de reuniões de alto perfil político e diplomático, que incluíram sessões com os embaixadores dos EUA e da França, e a coordenadora especial da ONU para o Líbano, com o intuito de marcar presença e apresentar propostas concretas relativas à campanha eleitoral do seu partido.
Um dia após o anúncio de que o Movimento do Futuro ponderava participar nas próximas eleições parlamentares, caso estas se realizem, Hariri nomeou a sua tia, Bahia Hariri, como vice-presidente do partido sunita. Esta decisão foi tomada durante uma reunião conjunta em Beirute entre a presidência do partido e os seus gabinetes político e executivo, na presença de Bahia, que de momento preside à Fundação Hariri para o Desenvolvimento Humano Sustentável.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir de Beirute