Um dos mais recentes ataques militares israelitas no Líbano ocorreu na noite de quarta-feira, quando dois mísseis atingiram um prédio residencial, causando 9 feridos e lançando o pânico entre a população local. De acordo com as autoridades libanesas, apesar de Nabatieh ter sido previamente atacada por drones, esta foi a primeira vez que a cidade no sul do Líbano foi directamente atacada pela força aérea israelita.
Desde o início da guerra, Israel efectuou mais de 6 mil ataques contra o Líbano que causaram 435 mortos, incluindo 30 jornalistas libaneses, e pelo menos 1.366 feridos.
Esta semana foi também marcada por avisos por parte das embaixadas da Alemanha, Suíça, Canadá e Kuwait no Líbano aos respectivos cidadãos para evacuar o território libanês por receios crescentes de uma invasão israelita. A embaixada de Portugal no Chipre, a única representação diplomática portuguesa no Líbano, para já não informou os seus cerca de 100 cidadãos presentes no Líbano que deveriam evacuar.
Apesar dos avisos diplomáticos e do medo crescente de uma guerra total na região, o Líbano registou mais de 300 mil visitantes (a maioria, membros da Diáspora libanesa) no seu território no mês de Junho.
Na frente estratégica, Israel continua a ameaçar uma invasão no Líbano, apesar das tentativas dos EUA, o maior aliado dos israelitas, de dissuadir uma operação militar a este nível.
O executivo de Netanyahu confirmou ainda que, assim que as investidas contra o Hamas em Gaza diminuírem de frequência e intensidade, o foco estratégico passará a ser a Frente Norte contra o Hezbollah. No entanto, esta operação poderá ser adiada, já que o governo israelita declarou que há planos para anexar 60% da Cisjordânia, o maior território Palestiniano, informação confirmada pelo Ministro das Finanças Bezalel Smotrich.
A Cisjordânia, que continua sob ocupação ilegal de Israel desde 1967, tem no seu território mais de 450 mil colonos israelitas, cuja população continua a aumentar de forma sistemática e violenta contra os Palestinianos locais.
Na frente libanesa, o Hezbollah tem insistido em marcar presença militar nas zonas fronteiriças e manter a intensidade dos ataques contra Israel enquanto não for assinalado um cessar-fogo em Gaza, apesar das críticas contra as acções do grupo xiita por vários partidos políticos, incluindo o Kataeb e Forças Libanesas e de grande parte da população no Líbano, que não quer ver o seu país arrastado para uma guerra devastadora.
João Sousa, e-Global