A situação de segurança no sul do Líbano deteriorou-se significativamente entre 30 de julho e 2 de agosto, segundo a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
A missão informou ter registado 125 violações do espaço aéreo libanês por parte das Forças de Defesa de Israel durante esse período, totalizando mais de 418 horas de sobrevoos com drones de vigilância e aeronaves armadas, muitas das quais operaram nas proximidades das posições dos capacetes azuis.
Além das incursões aéreas, a UNIFIL reportou um aumento da atividade militar terrestre, incluindo trabalhos de engenharia, deslocações de tropas e vários disparos de artilharia israelita que atingiram áreas situadas até ao norte do rio Litani, uma zona estratégica localizada cerca de 30 quilómetros da fronteira entre Israel e o Líbano.
A missão identificou igualmente operações navais israelitas em águas territoriais libanesas durante o fim de semana, enquanto as restrições à liberdade de circulação das patrulhas das Nações Unidas continuam a dificultar o cumprimento do seu mandato.
A missão de paz registou ainda vários incidentes no terreno. Na sexta-feira, patrulhas da UNIFIL foram temporariamente impedidas de circular pelas forças israelitas, limitando o acesso ao Setor Leste e à estrada costeira de Naqoura, no Setor Oeste. Durante o fim de semana, algumas patrulhas foram alvo de apedrejamentos por civis e, na segunda-feira, equipas de desminagem localizaram e destruíram em segurança engenhos explosivos improvisados e munições por detonar no Setor Leste.
Apesar do agravamento da situação de segurança, a UNIFIL continua a prestar apoio humanitário e de emergência. A pedido do Exército libanês, a missão participou nas operações de combate a incêndios florestais nas zonas de Shwayya e Ain Jerfa, recorrendo a um helicóptero e a pessoal especializado.
Em paralelo, facilitou sete missões humanitárias coordenadas com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), enquanto o Grupo de Trabalho do Setor da Saúde, liderado pelo Ministério da Saúde Pública do Líbano com o apoio da Organização Mundial da Saúde e da União Europeia, avaliou a resposta de emergência de 2026 e reforçou a preparação do país para futuros desafios sanitários.