Líbano: Votação para renovação anual do contrato da FINUL adiado pela ONU

No início desta semana, o Conselho de Segurança da ONU adiou a votação sobre a continuação da manutenção da FINUL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) devido a um impasse nas negociações por parte dos diplomatas envolvidos no processo.

Um dos pontos de destaque nestas negociações é a proposta elaborada pelo governo Francês, que visa prolongar o mandato da FINUL por mais um ano para garantir a presença de uma força neutral essencial para a manutenção da paz nas zonas fronteiriças entre Israel e o Líbano, numa fase em que o cessar-fogo entre os dois países se tem revelado precário, nomeadamente devido às violações diplomáticas diárias cometidas por Tel Aviv. Este período seria usado para permitir a implantação do exército Libanês antes da retirada dos 10 mil tropas da FINUL do sul do Líbano, durante o qual espera-se que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, apresente uma revisão estratégica para avaliar se estão reunidas condições para a transição efetiva.

Contudo, os diplomatas norte-americanos afirmaram que a proposta francesa não cumpria os critérios necessários para avançar para uma votação formal dentro do Conselho, causando um adiamento nas discussões do documento e decisões finais sobre a continuação da presença da FINUL, cuja votação está agora aprazada para esta sexta-feira. 

Tanto os EUA como Israel têm manifestado desagrado relativamente à FINUL, acusando a organização da ONU de complacência para com a presença do Hezbollah no sul do Líbano, rematando que o grupo xiita continua a representar uma ameaça para a segurança do estado Israelita. 

Apesar deste adiamento, tem havido relativo progresso noutras frentes; na semana passada, o enviado especial dos EUA, Tom Barrack, elogiou os esforços do governo libanês no processo de desarmamento do Hezbollah e pela primeira vez desde que iniciou esta função diplomática, enfatizou que Israel terá de honrar a sua parte do acordo de cessar-fogo, demonstrando uma mudança de tom em relação ao executivo de Benjamin Netanyahu na forma como tem lidado com o Líbano.

João Sousa, a partir de Beirute para a e-Global

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