Esta quarta-feira, um grupo de mais de uma centena de manifestantes reuniu-se em frente à Universidade Americana de Beirute, no bairro de Hamra, para marchar até à embaixada do Reino Unido, num ato de solidariedade para com o povo palestiniano e também para comemorar o 76° aniversário da Nakba (catástrofe, em Árabe).
Os participantes na marcha, constituída, na sua maioria, por estudantes universitários, desfilaram com bandeiras Palestinianas, vestiram o icónico keffiyeh (o lenço tradicional usado no Médio Oriente, que tem marcado presença em todas as manifestações pro-Palestina) e apresentaram uma variedade de cartazes com mensagens como “Saudações de Beirute para Gaza”, “Ausência de Boicote é Apoiar Genocídio”, “Se Permanecermos em Silêncio, o Líbano Virá a Seguir” (uma alusão ao risco iminente de Israel invadir o país dos cedros) e “Intifada Estudantil”.
Durante a marcha, que levou cerca de duas horas, alguns manifestantes declamaram slogans associados ao Hamas, o que deixou certos participantes desconfortáveis por não se reverem na ideologia do grupo islâmico. Outros cânticos fizeram referência à Declaração de Balfour (assinada em 1917 pelo Império Britânico com o intuito de criar um estado Judeu na Palestina), que é associada ao estabelecimento oficial de Israel, em 1948, e que espoletou a expulsão violenta de mais de 750 mil palestinianos indígenas das suas terras e inúmeros massacres em várias vilas (como, por exemplo, em Deir Yassin e Tantura).
O envolvimento do Império Britânico na Nakba continua a ser condenado pelos apoiantes da causa palestiniana, que agora culpam também o atual governo inglês pela sua associação aos crimes de guerra de Israel, em Gaza.
A marcha terminou na Embaixada Britânica, ao fim da tarde, sem incidentes. Apesar de estarem em época de exames académicos, os estudantes prometem voltar às ruas de Beirute e continuar a luta pela justiça e apoio ao povo Palestiniano.
João Sousa