Médio Oriente: Conflito pode empurrar mais 45 milhões para a situação de fome aguda

O agravamento do conflito no Médio Oriente poderá empurrar mais 45 milhões de pessoas para uma situação de fome aguda em todo o mundo, segundo um alerta do Programa Mundial de Alimentos (PMA). A previsão foi avançada pelo vice-diretor-executivo da agência, Carl Skau, que admite um cenário crítico caso os confrontos se prolonguem até junho. De acordo com o responsável, a atual crise já atingiu níveis de gravidade sem precedentes desde a pandemia de Covid-19.

O conflito, iniciado a 28 de fevereiro após ataques entre Israel, Estados Unidos e Irão, está a ter impactos diretos e indiretos nas operações humanitárias globais. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, apelou ao fim imediato das hostilidades e ao cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança. No terreno, países como o Líbano enfrentam uma escalada de deslocamentos e destruição, com infraestruturas críticas e cadeias de abastecimento severamente afetadas.

As perturbações logísticas já estão a provocar atrasos na entrega de ajuda e um aumento significativo dos custos, nomeadamente de alimentos e combustíveis. O PMA viu-se forçado a reduzir rações em países como o Sudão e a limitar a assistência no Afeganistão, onde apenas uma em cada quatro crianças gravemente desnutridas está a receber apoio. A situação agrava-se com a interrupção do fornecimento de fertilizantes através do Estreito de Ormuz, essencial para a produção agrícola global.

No Líbano, um dos epicentros da crise, mais de 132 mil pessoas encontram-se em centros de acolhimento, enquanto o número total de deslocados poderá ultrapassar um milhão — cerca de 20% da população. Segundo a ONU, a maioria dos afetados não está em abrigos formais, dificultando a prestação de assistência, sobretudo a idosos e pessoas com mobilidade reduzida. A comunidade internacional enfrenta agora o desafio urgente de evitar que a crise humanitária se transforme numa catástrofe de maior escala.

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