Médio Oriente: Redes de espionagem Israelitas continuam ativas no Líbano

Na semana passada, as autoridades do sul do Líbano anunciaram a detenção de um indivíduo suspeito de colaborar com Israel em operações de espionagem em território Libanês. A detenção foi efetuada após várias semanas de investigações coordenadas entre a Divisão de Informações das Forças de Segurança Interna o Hezbollah, que confirmaram que o suspeito, Mahmoud Ayoub, mantinha contato direto com agências de informação israelitas através de aplicações encriptadas.

Ayoub, oriundo da cidade de Harouf, no distrito de Nabatieh, era o diretor financeiro do Hospital Ragheb Harb (ligado ao Hezbollah), e focava-se na recolha de informações sobre a localização e movimentações de combatentes do partido xiita. A operação ocorreu em Nabatieh, onde Ayoub foi emboscado pela Divisão de Informações e por agentes do Hezbollah e mais tarde detido para interrogatório. Foram apreendidos equipamentos eletrônicos, cartões SIM estrangeiros e um transmissor sofisticado. Foram também encontrados na sua posse mapas e fotos de zonas no sul do Líbano, resultantes das suas operações de espionagem.

Este incidente está longe de ser um caso isolado no âmbito do recrutamento de espiões associados ao Hezbollah por parte de Israel. No mês passado, o cantor religioso Mohammad Hadi Saleh, apoiante do Hezbollah, foi acusado de ter recebido 23 mil dólares por parte de Israel em troca de serviços de espionagem. Já em Setembro do ano passado, um ex-combatente e ex-enfermeiro do grupo xiita foi investigado por ter alegadamente recebido 7 mil dólares pelo regime Israelita.

A e-Global foi informada por fontes anónimas ligadas ao Hezbollah que a Mossad chega a oferecer 200 mil dólares por ano a membros do grupo xiita para executar operações de espionagem Israelitas dentro do Líbano.

Esta guerra entre o Hezbollah e Israel revelou falhas críticas de segurança e vigilância para prevenir infiltrações de espionagem da Mossad (que culminaram nos ataques dos pagers e walkie-talkies em Setembro do ano passado). Mesmo antes da guerra, em 2022, as forças de segurança interna Libanesas anunciaram o desmantelamento de 17 redes de espionagem Israelitas e a detenção de 185 indivíduos suspeitos de colaborar com a Mossad.

Segundo a Lei Libanesa de 1955, é estritamente proibida a interação entre Libaneses e Israelitas, ou indivíduos residentes em Israel. São também proibidas transações comerciais ou financeiras, sob a pena de três a dez anos de trabalhos forçados.

Dado que Israel continua a eliminar com sucesso membros do Hezbollah, nomeadamente no sul do Líbano através de ataques de drones militares, tanto as autoridades Libanesas como o próprio partido xiita continuarão a intensificar a busca de mais espiões ao serviço de Israel.

João Sousa, a partir do Líbano para a e-Global

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