Ebrahim Raisi, o oitavo presidente do Irão, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros Hossein Amirabdollahian, morreram, este domingo à tarde, num acidente de helicóptero, juntamente com mais seis tripulantes, quando sobrevoavam o distrito de Bakrabad, junto da fronteira com o Azerbaijão. Após várias horas de buscas, dificultadas pelo denso nevoeiro na região, por parte de equipas de socorro iranianas e turcas, munidos de equipamento com visão de noturna, os destroços do helicóptero foram encontrados, ontem, sem sobreviventes.
As autoridades iranianas oficialmente atribuíram o acidente ao mau tempo, mas alguns apoiantes do regime de Teerão apontaram o dedo a Israel, acusando a Mossad de estar envolvida no incidente, indicando que, dos três helicópteros que faziam parte da comitiva, apenas o de Raisi sofreu um acidente.
Para já, não há mais detalhes sobre as investigações feitas no terreno após as operações de resgate, mas Israel nega qualquer envolvimento no sucedido.
O rescaldo do incidente incluiu condolências por parte de diversos líderes mundiais, e países como o Líbano, Síria e Paquistão declararam luto nacional de três dias.
Grupos associados ao Irão, como o Hezbollah e o Hamas, lamentaram também a morte de Raisi e esta sexta-feira está agendado um discurso do Secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, que incluirá referências ao acidente.
Por outro lado, John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América, relembrou que Raisi violou direitos humanos e Tom Tugendhat, Ministro de Estado da Segurança britânico, afirmou que o Reino Unido não lamentará a morte do presidente defunto, já que o seu regime foi responsável por assassinar milhares de pessoas inocentes.
As reações dentro do Irão foram polarizadas. Ainda antes da confirmação da morte de Raisi, várias cidades organizaram vigílias com rezas dedicadas ao líder Iraniano, enquanto um números incalculável de cidadãos festejaram efusivamente com fogo-de-artifício, danças e partilhas de conteúdos nas redes sociais a troçar o presidente.
Raisi, 63 anos de idade, também conhecido como o “Carniceiro de Teerão” pelo seu envolvimento nas execuções de milhares de presos políticos no final dos anos 80, era detestado por milhões de iranianos, dentro e fora do país.
A morte de Raisi, cujo cargo presidencial será ocupado temporariamente por Mohammad Mokhber até às próximas eleições, no dia 28 de junho, deixa o Irão num impasse geopolítico. Se por um lado, o Supremo Líder Iraniano Ali Khamenei indicou que a morte de Raisi não causará alterações significativas na agenda do executivo, há o receio de que as tensões na região aumentem, especialmente se houver provas de que Israel esteve diretamente implicado no acidente, tendo em conta que ambos os países estiveram mutuamente envolvidos em ataques militares diretos, no mês passado, tendo levado o conflito a patamares sem precedentes.
João Sousa