Quase quatro anos após a tomada de poder pelo Talibã, as mulheres e meninas no Afeganistão enfrentam níveis críticos de exclusão social e econômica, alerta um novo relatório da ONU Mulheres. De acordo com o documento, cerca de 80% das jovens afegãs estão fora da escola, do trabalho e de programas de formação, índice quase quatro vezes superior ao dos rapazes.
A proibição do acesso ao ensino secundário e superior, inclusive para formação médica, agrava o cenário. A agência das Nações Unidas adverte que, se o quadro persistir, em breve nenhuma menina concluirá o ensino secundário no país. “Não podemos aceitar esse precedente perigoso”, afirmou Sofia Calltorp, chefe de ação humanitária da ONU Mulheres, durante reunião em Genebra.
O relatório revela ainda uma das maiores disparidades de género no mundo em termos de participação no mercado de trabalho: apenas 24% das mulheres trabalham, contra 89% dos homens. Muitas delas estão confinadas a trabalhos domésticos não remunerados ou empregos precários, enquanto o número de mulheres procurando trabalho aumentou drasticamente desde 2021.
Com base no novo Índice de Gênero para o Afeganistão, o país regista a segunda pior disparidade de igualdade de género do mundo. As mulheres atingem, em média, apenas 17% do seu potencial máximo de acesso a oportunidades e escolhas, muito abaixo da média global de 60%. Apesar disso, a diretora da ONU Mulheres, Sima Bahous, destacou a resistência e coragem das mulheres afegãs, que “continuam a empreender, a prestar ajuda humanitária e a lutar por justiça”.