A ONU alertou que as ações de Israel nos territórios palestinianos ocupados levantam sérias preocupações sobre possíveis atos de “limpeza étnica”, segundo um relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O documento aponta que a destruição sistemática de bairros, os deslocamentos forçados e a restrição da ajuda humanitária parecem visar uma alteração demográfica permanente em Gaza e na Cisjordânia.
O relatório, que analisa o período entre novembro de 2024 e outubro de 2025, indica que os ataques intensificados e a devastação de infraestruturas civis criaram condições de vida incompatíveis com a permanência da população palestiniana em Gaza. Dados citados no documento apontam que mais de 72 mil palestinianos morreram e mais de 171 mil ficaram feridos desde o início das operações militares israelitas em outubro de 2023, segundo autoridades de saúde locais.
Os peritos destacam ainda a propagação da fome e a morte de pelo menos 463 palestinianos por inanição, incluindo crianças, associando esta situação ao bloqueio da entrada e distribuição de ajuda humanitária. O uso da fome como método de guerra constitui um crime de guerra e pode também configurar crimes contra a humanidade ou genocídio, caso seja comprovada a intenção de destruir um grupo específico, sublinha o relatório.
Na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, a ONU documentou o uso sistemático de força considerada ilegal, detenções arbitrárias, alegados casos de tortura e demolições de habitações palestinianas. Segundo o relatório, estas ações contribuem para um sistema de controlo e opressão da população palestiniana e reforçam um clima de impunidade, com poucas medidas de responsabilização.
Perante este cenário, o Alto Comissariado apelou aos Estados para suspenderem a venda e transferência de armas que possam ser utilizadas em violações do direito internacional. A organização defende que a responsabilização pelos abusos é essencial para garantir justiça às vítimas e criar as bases para uma paz duradoura entre israelitas e palestinianos.