ONU denuncia maus-tratos sistemáticos a palestinianos que regressam a Gaza

O Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestiniano Ocupado manifestou profunda preocupação com as denúncias de violência, humilhações e confisco de bens de palestinianos que tentam regressar à Faixa de Gaza. Os incidentes terão ocorrido sobretudo na passagem de Kerem Abu Salem e, anteriormente, na passagem de Rafah.

Testemunhos recolhidos entre 7 de julho e 4 de agosto descrevem viagens de regresso prolongadas, durante as quais centenas de pessoas dizem ter sido submetidas a agressões físicas, ameaças, revistas invasivas e procedimentos humilhantes. Num único dia de julho, 54 dos 92 palestinianos que regressavam relataram ter perdido parte ou a totalidade dos seus pertences, incluindo medicamentos, documentos de identificação, dinheiro e dispositivos de apoio.

Entre os casos documentados está o de um homem idoso que terá sido agredido e algemado por soldados israelitas depois de protestar contra a retirada de dinheiro da sua bagagem. Segundo o testemunho, o homem foi arrastado pelo chão, fechado numa pequena sala e posteriormente colocado num autocarro sem que lhe fosse apresentada qualquer explicação.

As Nações Unidas relatam também casos de revistas invasivas a mulheres e situações que envolveram crianças. Duas mulheres disseram ter sido separadas e conduzidas para uma área fechada, onde foram obrigadas a despir-se durante uma revista corporal realizada por uma soldado israelita e registada por câmaras de segurança. Num outro caso, uma menina de quatro anos entrou sozinha em Gaza depois de o pai ter sido impedido de atravessar, obrigando organizações humanitárias a procurar a família para a reunir com a mãe e o tio.

Ajith Sunghay, responsável pelos Direitos Humanos da ONU no Território Palestiniano Ocupado, considerou os relatos parte de um padrão mais amplo de violações e desumanização. A ONU afirma que as denúncias são semelhantes a abusos anteriormente registados nos postos de passagem, incluindo intimidação, interrogatórios, agressões verbais e alegados roubos de bens, salientando que, até agora, não foi identificado um mecanismo que permita às vítimas recuperar os pertences confiscados.

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