ONU denuncia possível crime de guerra em Gaza após mortes em centros de ajuda humanitária

A Organização das Nações Unidas denunciou que pelo menos 410 palestinos foram mortos pelas forças israelenses desde o final de maio enquanto tentavam obter alimentos em centros de ajuda humanitária não coordenados pela ONU, operados pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada por Israel e EUA. O escritório de direitos humanos da ONU (ACNUDH) classifica os incidentes como possíveis crimes de guerra.

Segundo o porta-voz do ACNUDH, Thameen Al-Keetan, os centros de distribuição privados “não seguem os padrões internacionais” e têm sido cenário de confusão, disparos e mortes de civis. Em muitos casos, as vítimas foram atingidas por tiros ou explosões em meio à luta por suprimentos essenciais como alimentos, água e medicamentos.

A ONU também denuncia que mulheres, idosos e pessoas com deficiência continuam entre os mais afetados, ficando sem acesso à ajuda devido ao caos e ao bloqueio quase total imposto por Israel. Mais de 3.000 pessoas ficaram feridas em confrontos e tumultos relacionados a esses centros. O chefe do OCHA em Gaza descreveu o cenário como “uma sentença de morte para quem tenta sobreviver”.

O acesso a hospitais e combustível permanece crítico. O Complexo Médico Nasser está sobrecarregado e isolado, e o sistema de telecomunicações corre risco de colapso sem reabastecimento urgente. A ONU apela ao fim imediato da violência, à responsabilização dos autores dos crimes e à restauração de uma operação humanitária segura, neutra e eficaz em Gaza.

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