A visita papal ao Líbano (a primeira desde 2012) dominou o início desta semana num país a passar por momentos críticos com a ocupação Israelita no sul e a ameaça de uma nova campanha bélica por parte do regime de Tel Aviv. O Papa Leão XIV, o quarto a visitar a terra dos cedros, foi recebido pelos mais elevados representantes Libaneses no aeroporto de Beirute na tarde de Domingo, donde partiu para o Palácio Presidencial.
Esta foi a sua primeira viagem internacional como Papa, num dia itinerário iniciado já Turquia. Milhares de pessoas acompanharam o seu percurso ao longo das estradas, inclusive os escuteiros do Hezbollah que fizeram questão de dar as boas-vindas ao líder católico, debaixo de chuvas torrenciais.
Na segunda-feira, o Papa norte-americano visitou o túmulo de São Charbel, um santo católico Libanês venerado em toda a região, e mais tarde foi até Harissa, um santuário numa colina perto da cidade de Jounieh (a norte de Beirute) onde se encontra a icónica estátua da Nossa Senhora do Líbano. Ainda na segunda-feira, o Papa teve uma sessão numa tenda montada no centro da Praça dos Mártires em Beirute, onde se reuniu com diversos líderes religiosos ao som de cânticos de jovens católicos. Leão XIV aproveitou a ocasião para afirmar que “o medo, a desconfiança e o preconceito não têm a última palavra”, apelando ainda à “coexistência religiosa” num país fustigado por décadas de conflitos.
O dia terminou em Bkerké, residência do Cardeal Patriarca Católico Maronita Béchara Pierre Raï, onde Leão XIV galvanizou os vários milhares de cristãos presentes com mais uma mensagem de união, afirmando que “a vossa pátria, o Líbano, voltará a florescer, bela e vigorosa como o cedro, símbolo da unidade e da fertilidade do povo.”
No dia seguinte, o Papa dirigiu-se ao porto de Beirute para se encontrar com um grupo familiares das vítimas da grande explosão de 4 de Agosto de 2020, que matou mais de 200 pessoas e causou milhares de feridos. Leão XIV ofereceu orações e rezou em silêncio antes de abençoar e conversar com cada um dos presentes, no meio dos escombros que permanecem no porto 5 anos após o evento devastador. Minutos depois, o Papa dirigiu-se até à Orla Marítima de Beirute, onde mais de 150 mil crentes o aguardavam com bandeiras do Vaticano e do Líbano. Vários representantes políticos e religiosos assistiram à sua última missa, onde Leão XIV mais uma vez enfatizou a importância da união nacional Libanesa “para que esta terra possa regressar à sua glória”, apelando ao povo a “descartar as armaduras das nossas divisões étnicas e políticas”.
A visita do Papa ao Líbano foi vista como um sucesso, tanto no plano organizacional (não foram apontados incidentes nenhuns durante os três dias graças ao serviço de segurança por parte do Exército Libanês) como no simbolismo da sua missão internacional por ter tido início no Médio Oriente, região que tem vivido tempos extremamente conturbados, especialmente em Gaza, onde Israel continua o genocídio contra a população Palestiniana, e no sul do Líbano, com zonas ocupadas ilegalmente pelas forças militares Israelitas.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir de Beirute