Os preços do ouro e da prata registaram quedas acentuadas, mesmo com a continuação da guerra no Irão e os receios globais que dela decorrem. O ouro, que chegou a atingir 5 602 dólares no final de janeiro, caiu cerca de 25%, negociando-se atualmente perto dos 4 500 dólares. Já a prata recuou cerca de 50%, depois de atingir um máximo histórico de 121 dólares no final de janeiro, situando-se agora em torno de 70 dólares.
Embora os metais preciosos sejam tradicionalmente considerados refúgios em tempos de instabilidade, os investidores optaram por liquidez e ativos com rendimento, pressionados pela valorização do dólar e pela subida das rendibilidades das obrigações do Tesouro dos EUA. A escalada dos preços do petróleo aumentou as expectativas de inflação, tornando o custo de oportunidade de deter ouro mais elevado.
O fenómeno contraria o comportamento habitual dos metais em períodos de tensão geopolítica, mostrando que fatores macroeconómicos, como políticas monetárias e força do dólar, podem sobrepor-se ao seu papel de proteção.
Apesar desta correção, os fundamentos da procura industrial, especialmente para a prata, continuam a sustentar os preços no médio e longo prazo, dada a sua utilização em painéis solares, eletrónica e veículos elétricos.