Os mercados internacionais de energia conseguiram evitar uma crise ainda mais profunda após a forte redução do tráfego no Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás no mundo.
Segundo uma análise da Agência Internacional de Energia (AIE), a combinação de libertação de reservas estratégicas, utilização de rotas alternativas, aumento da produção noutros países e ajustamentos rápidos das refinarias permitiu compensar parte significativa da quebra no abastecimento provocada pelo conflito no Médio Oriente.
Desde o início das hostilidades, em fevereiro de 2026, o fluxo de petróleo através do estreito caiu de cerca de 20 milhões para apenas 2,7 milhões de barris por dia. A interrupção provocou uma forte subida dos preços da energia, levando o petróleo Brent a atingir um máximo histórico de 144 dólares por barril. O impacto fez-se sentir igualmente nos mercados de combustíveis refinados, como o gasóleo e o combustível de aviação, essenciais para os transportes e para a atividade económica mundial.
A resposta internacional foi rápida. Os países membros da AIE aprovaram a maior libertação coordenada de reservas estratégicas da história, colocando no mercado cerca de 400 milhões de barris de petróleo. Em paralelo, produtores do Golfo, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, recorreram a oleodutos e infraestruturas alternativas para manter parte das exportações. Ao mesmo tempo, países como os Estados Unidos, Brasil, Cazaquistão e Venezuela aumentaram a produção e reforçaram as vendas para os mercados internacionais, particularmente para a Ásia.
As refinarias desempenharam igualmente um papel decisivo na mitigação da crise. Na Europa, nos Estados Unidos e na Nigéria, a produção de combustível de aviação aumentou significativamente para compensar a quebra das exportações oriundas do Médio Oriente. Estas medidas ajudaram a evitar uma escassez mais grave durante a aproximação da época alta das viagens de verão, período tradicionalmente marcado por um aumento da procura de combustíveis.
Apesar dos sinais de recuperação após o recente acordo entre os Estados Unidos e o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, a AIE alerta que a situação continua incerta. A crise evidenciou a vulnerabilidade dos mercados energéticos globais a choques geopolíticos e está já a levar governos e empresas a rever estratégias de abastecimento, rotas comerciais e investimentos em infraestruturas energéticas. Os especialistas consideram que os efeitos deste episódio poderão influenciar as políticas energéticas mundiais durante muitos anos.