O número de refugiados em todo o mundo diminuiu 3% em 2025, fixando-se em 41,6 milhões de pessoas, segundo o mais recente relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Trata-se da primeira redução registada na última década, resultado de um aumento significativo dos regressos aos países de origem.
Durante o ano passado, cerca de 14,7 milhões de deslocados regressaram às suas casas, incluindo 4,4 milhões de refugiados e 10,3 milhões de deslocados internos. Os movimentos de retorno ocorrerão nos maiores Afeganistão, Sudão e Síria. No entanto, a agência da ONU alerta que muitos destes regressos aconteceram sob pressão e para regiões que continuam marcadas por instabilidade, pobreza e falta de serviços básicos.
O relatório revela ainda que cerca de 70% dos refugiados vivem em situação de deslocação prolongada, muitas vezes durante anos ou décadas, dependentes de ajuda humanitária. O Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Barham Salih, defendeu a necessidade de criar oportunidades que permitam aos refugiados reconstruir suas vidas com maior autonomia e dignidade.
Perante este cenário, o ACNUR lançou uma nova estratégia com o objetivo de reduzir para metade, até 2035, o número de refugiados dependentes de assistência humanitária prolongada. A aposta é uma iniciativa de apoio ao regresso voluntário, na integração dos refugiados nos sistemas de educação, saúde e emprego dos países de acolhimento e no reforço de mecanismos como o reassentamento e a reunificação familiar.
Apesar dos progressos registados, o relatório aponta para uma redução superior a 50% nos programas de reassentamento em 2025, com apenas 81.800 refugiados transferidos para países terceiros. Para o ACNUR, o desafio passa agora por transformar a diminuição dos números em soluções difíceis que garantem segurança, estabilidade e oportunidades para milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo.