A Austrália anunciou um investimento de 12 mil milhões de dólares australianos (6,8 mil milhões de euros) para modernizar os estaleiros de Henderson, em Perth, de forma a construir e manter submarinos de propulsão nuclear no âmbito do acordo Aukus, celebrado em 2021 com os Estados Unidos e o Reino Unido para conter a influência da China no Indo-Pacífico. O custo global da transformação destes estaleiros poderá chegar a 25 mil milhões de dólares australianos (14,17 mil milhões de euros).
O plano prevê que Camberra adquira três a cinco submarinos da classe Virginia, fabricados nos EUA, antes de avançar para a produção nacional em colaboração com Londres. As obras incluem docas secas de alta segurança, infraestruturas para manutenção nuclear e a possibilidade de fabricar barcaças e fragatas japonesas da classe Mogami no futuro.
Apesar da aposta estratégica, especialistas alertam que a frota pode estar condenada a perder relevância mais cedo do que o esperado.
Os avanços em tecnologias de deteção — desde redes de sonar e sensores quânticos até ao rastreio por satélite e à inteligência artificial — poderão tornar os submarinos facilmente rastreáveis.
Estudos recentes sugerem que, até 2050, os oceanos poderão estar 75% a 90% “transparentes” a este tipo de tecnologia, reduzindo drasticamente a eficácia dos submarinos nucleares.
Para os críticos, o investimento corre o risco de se transformar em “caixões bilionários”, já que estas embarcações, hoje consideradas predadores de topo, podem em breve ser ultrapassadas pela evolução tecnológica.