A Organização Internacional para as Migrações (OIM) apelou aos governos para reforçarem a cooperação internacional no combate às redes de tráfico de seres humanos e de contrabando de migrantes ao longo das principais rotas migratórias. O apelo foi feito pela directora-geral da organização, Amy Pope, durante o Debate Geral das Nações Unidas, realizado no mês passado, tendo sido divulgado a 15 de Outubro.
Segundo Amy Pope, as redes criminosas organizam as rotas migratórias de forma estruturada e antecipada, explorando a vulnerabilidade das pessoas em busca de segurança e melhores condições de vida. A responsável defendeu uma resposta coordenada entre os Estados-membros para desmantelar estas organizações, proteger os direitos humanos e reduzir os riscos enfrentados pelos migrantes, sem comprometer a soberania dos países sobre as suas fronteiras e legislação.
A OIM propõe uma abordagem baseada nas rotas migratórias, que prevê a partilha de informações operacionais entre os países e a coordenação das acções contra o crime organizado. A organização alerta que o tráfico e o contrabando de pessoas movimentam milhares de milhões de dólares, enquanto os migrantes continuam expostos a viagens perigosas, nomeadamente em embarcações precárias e sobrelotadas.
Os dados apresentados pela agência indicam que mais de 83 milhões de pessoas viviam em situação de deslocação interna no final de 2024 e que quase oito mil pessoas morreram ou desapareceram em rotas migratórias durante 2025. Para enfrentar este cenário, a OIM recomenda a criação de vias legais de acesso ao trabalho, o investimento na geração de emprego e o reforço da adaptação às alterações climáticas nas comunidades de origem dos migrantes.
A organização defende ainda o envolvimento do sector privado, da sociedade civil e das organizações religiosas na criação de alternativas seguras e no apoio humanitário. No âmbito dos 75 anos da sua fundação, a OIM informa que destina mais de 93% do seu orçamento a projectos no terreno, prestando assistência a uma média de 29,3 milhões de pessoas por ano.