O exército israelita ordenou novamente, nesta quarta-feira, que a população abandonasse a cidade de Gaza num prazo de 48 horas e se deslocasse para o sul através da estrada Salah ad Din, no contexto da intensificação da ofensiva terrestre contra o Hamas. A ONU alertou que a situação humanitária “piora a cada hora”: a população passa fome, as crianças estão traumatizadas e os centros de nutrição e distribuição de alimentos foram forçados a encerrar.
De acordo com a Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 21 dos 50 centros de tratamento da desnutrição na cidade já encerraram, interrompendo o acompanhamento médico de cerca de 4.000 crianças. A UNICEF alertou que 26.000 crianças na Faixa de Gaza necessitam de tratamento urgente contra a desnutrição aguda, das quais mais de 10.000 estão na cidade de Gaza.
O deslocamento forçado também afeta mulheres grávidas. O Fundo de População da ONU (UNFPA) denunciou que cerca de 23.000 mulheres não têm acesso a cuidados médicos, e estima-se que nasçam semanalmente 15 bebés sem assistência, com partos a ocorrer até nas ruas, devido à falta de hospitais e de água potável.
Entre meados de agosto e esta semana, registaram-se 200.000 deslocamentos para o sul, com famílias a caminhar durante horas em meio aos combates. A pressão sobre Khan Younis e Deir Al Balah aumenta, enquanto os serviços humanitários lutam para manter operacionais os limitados programas de nutrição e assistência.
As agências da ONU reiteraram o apelo urgente à proteção da população civil, em conformidade com o direito internacional humanitário.