ONU lança apelo urgente para reforçar combate global ao tráfico de pessoas

As Nações Unidas lançaram novos alertas sobre a expansão do tráfico humano, sublinhando que o fenómeno continua a prosperar impulsionado pela pobreza, instabilidade e pelas tecnologias digitais que ampliam o alcance das redes criminosas.

Durante um encontro de alto nível dedicado ao Plano Global de Ação contra o Tráfico de Pessoas, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, defendeu legislação mais robusta, respostas coordenadas e políticas centradas nas vítimas — agora reconhecidas como sobreviventes.

A ONU destacou ainda que cerca de 50 milhões de pessoas continuam submetidas a trabalho forçado, exploração sexual e casamentos forçados, num cenário agravado por desigualdades profundas, conflitos prolongados e impactos da crise climática. Embora mulheres e meninas permaneçam as principais vítimas, cresce rapidamente o número de pessoas traficadas para trabalho forçado e para crimes online, impulsionados por redes que utilizam inteligência artificial, deepfakes e plataformas encriptadas.

Perante esta realidade, governos foram instados a modernizar legislações, reforçar a cooperação internacional, envolver o sector privado e aplicar o princípio de não punição para vítimas coagidas a cometer crimes. Annalena Baerbock sublinhou que “nenhum Estado pode combater sozinho um crime tão vasto e mutável”, apelando a políticas “fundadas na dignidade humana e na ação concreta”. Para a ONU, transformar compromissos em medidas reais é agora uma responsabilidade global e inadiável.

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