A ONU Mulheres alertou para falhas persistentes nos sistemas de saúde em todo o mundo, sublinhando que as mulheres continuam a enfrentar dificuldades no acesso a diagnósticos corretos e tratamentos adequados. Apesar dos progressos registados nas últimas décadas, a agência das Nações Unidas afirma que viver mais tempo não significa necessariamente viver com melhor qualidade de saúde.
Segundo o relatório, as mulheres têm maior probabilidade de ver a sua dor desvalorizada, os sintomas mal interpretados e as doenças diagnosticadas tardiamente. Estas desigualdades estão enraizadas em sistemas médicos historicamente concebidos com base em padrões masculinos, o que continua a ter impacto direto na saúde e bem-estar feminino.
Os dados mostram avanços importantes, como a redução de 40% na mortalidade materna entre 2000 e 2023 e o aumento do acesso a cuidados de saúde reprodutiva. No entanto, persistem desigualdades significativas, sobretudo nos países mais pobres, onde indicadores como a gravidez na adolescência continuam a agravar-se.
A Organização Mundial da Saúde destaca ainda que as mulheres vivem, em média, mais anos do que os homens, mas passam mais tempo com problemas de saúde, incluindo doenças crónicas e condições frequentemente subdiagnosticadas, como a endometriose. Em muitos casos, o diagnóstico pode demorar vários anos, prolongando o sofrimento.
Entre os principais desafios identificados estão a falta de investimento em investigação sobre doenças que afetam mulheres, a sub-representação feminina em cargos de liderança na área da saúde e a utilização de ferramentas médicas desatualizadas. A ONU Mulheres defende que uma maior inclusão, financiamento e inovação são essenciais para garantir sistemas de saúde mais justos e eficazes para todas.