ONU prevê aquecimento global de 2,8 °C até 2100 sem novas medidas climáticas

O mundo poderá aquecer 2,8 °C até ao final do século, segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA). Mesmo com o cumprimento dos compromissos climáticos atuais, a subida poderá atingir 2,6 °C, muito acima da meta de 1,5 °C. O documento aponta uma diferença significativa entre as promessas dos governos e as medidas concretas para reduzir as emissões.

Em 2025, os Estados Unidos registaram o maior aumento de emissões entre os principais poluidores, impulsionado pelo maior recurso ao carvão e pela crescente procura de eletricidade, incluindo para centros de dados de inteligência artificial. A China e a Indonésia também registaram aumentos. A ONU alerta que ultrapassar 1,5 °C eleva os riscos de fenómenos extremos, perda de recifes de coral, degelo e alterações profundas na Amazónia.

Apesar do cenário preocupante, o relatório destaca progressos nas energias renováveis. A capacidade mundial de produção elétrica renovável cresceu mais rapidamente do que o previsto, com a energia solar a registar uma expansão particularmente expressiva. Medidas como a tributação do carbono e os sistemas de comércio de emissões também contribuíram para reduzir a poluição em várias regiões.

Para limitar o aquecimento, o PNUA defende cortes drásticos nas emissões, estimados em 69% até 2040, face aos níveis de 2025. O cenário apresentado prevê que a temperatura possa atingir um pico de 1,7 a 1,8 °C a meio do século e regressar a 1,5 °C até 2100, exigindo também a remoção de grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera. A ONU sublinha que cada atraso torna o objetivo mais difícil, mas considera ainda possível reduzir os impactos através de medidas urgentes e sustentadas.

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