A poluição luminosa continua a crescer em várias regiões do mundo, com impactos cada vez mais visíveis na saúde humana e nos ecossistemas. Um estudo recente indica que as emissões globais de luz aumentaram 16% entre 2014 e 2022, enquanto a intensidade média da iluminação artificial subiu cerca de 9%.
O fenómeno é mais evidente nas grandes cidades, onde se multiplicam painéis luminosos, vitrinas, iluminação pública e tráfego automóvel. Especialistas alertam que a exposição excessiva à luz artificial durante a noite interfere no ciclo natural do sono, reduzindo a produção de melatonina e aumentando riscos de problemas como obesidade, diabetes e depressão.
Os efeitos também atingem fortemente a fauna. Aves migratórias perdem orientação devido à iluminação artificial, insetos noturnos ficam presos em torno de lâmpadas até morrerem e mamíferos como morcegos e ouriços evitam áreas demasiado iluminadas, reduzindo o seu habitat natural.
Na Ásia, sobretudo na China e na Índia, registou-se o maior crescimento da iluminação noturna. Já na Europa, alguns países conseguiram reduzir a poluição luminosa graças a legislação específica e soluções urbanas mais eficientes. França, Reino Unido e Holanda estão entre os países que mais reduziram a intensidade luminosa nos últimos anos.
Cidades como Fulda, na Alemanha, adotaram iluminação inteligente com sensores de movimento e luzes direcionadas apenas para áreas necessárias, reduzindo significativamente a morte de insetos e o desperdício energético.
Especialistas defendem que o combate à poluição luminosa passa por utilizar luzes menos intensas e mais quentes, limitar horários de iluminação e evitar que a luz seja projetada para o céu noturno.