Redes sociais foram feitas para prender a atenção. É possível escapar ao algoritmo?

Uma decisão da Comissão Europeia reacendeu o debate sobre o caráter viciante das redes sociais, ao considerar que o “design viciante” do TikTok pode violar regras da União Europeia. Funcionalidades como scroll infinito, reprodução automática, notificações constantes e feeds personalizados são apontadas como fatores que incentivam o uso compulsivo.

Nos Estados Unidos, uma ação judicial na Califórnia levanta acusações semelhantes contra plataformas da Google e da Meta, alegando que aplicações como o Instagram são concebidas para maximizar o tempo de ecrã, sobretudo entre jovens.

Especialistas comparam o funcionamento destas plataformas ao das máquinas de jogo, devido às recompensas rápidas e imprevisíveis — como “gostos” e comentários — que estimulam o cérebro e reforçam hábitos. O consumo passivo e contínuo de conteúdos tem sido associado a problemas como ansiedade, isolamento e dependência digital.

Para mudar este cenário, alguns investigadores defendem alterações no modelo de negócio, sugerindo subscrições pagas em vez de receitas baseadas em publicidade e recolha de dados. Outras propostas passam pelo reforço de alternativas descentralizadas, como o Mastodon, integrado na chamada Fediverse.

Enquanto reformas estruturais não avançam, os especialistas recomendam estratégias individuais para reduzir o “doomscrolling”: limitar notificações, definir tempos de utilização, dificultar o acesso às aplicações ou optar por usar redes sociais apenas no computador. Ainda assim, sublinham que a responsabilidade principal deve recair nas plataformas, e não apenas nos utilizadores.

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