Um novo estudo publicado na The Lancet Psychiatry conclui que reduzir gradualmente a dose de antidepressivos, aliado a acompanhamento psicológico, é tão eficaz como continuar a medicação para evitar recaídas a curto prazo. A revisão analisou 76 ensaios com mais de 17.000 participantes.
Os investigadores definem redução lenta como mais de quatro semanas e muito lenta como mais de 12 semanas. Segundo os dados, uma redução faseada acompanhada por terapia — como terapias cognitivo-comportamentais ou abordagens baseadas em mindfulness — pode evitar recaídas em cerca de um em cada cinco doentes, comparando com reduções rápidas ou interrupção imediata.
A equipa sublinha que a decisão deve ser personalizada e tomada com um especialista, lembrando que muitos doentes prolongam a medicação por receio do regresso dos sintomas e pelos efeitos secundários de longo prazo. O estudo não sugere que os antidepressivos sejam dispensáveis, mas sim que existe margem para estratégias de descontinuação mais seguras.
Especialistas externos alertam que os antidepressivos continuam eficazes na prevenção de novos episódios e que muitos doentes poderão continuar a precisar de tratamento farmacológico. Há ainda limitações na evidência relativa à ansiedade, que permanece menos robusta do que no caso da depressão.