A economia mundial deverá crescer apenas 2,4% em 2025, segundo uma nova análise da Crédito y Caución, que revê em baixa as projeções anteriores devido à escalada das tarifas comerciais, particularmente nos Estados Unidos. O corte é significativo: menos 0,6 pontos percentuais face à estimativa de março e quase um ponto em relação à de janeiro.
O relatório sublinha que a imposição de tarifas está a reduzir a procura global e a impulsionar a inflação, ao encarecer as importações e pressionar os custos para as empresas.
As tarifas norte-americanas atingiram agora uma média de 15% — o nível mais alto desde os anos 1930. Entre as medidas em vigor, destacam-se uma tarifa-base de 10%, um imposto de 25% sobre automóveis e de 50% sobre aço e alumínio.
Já os produtos provenientes do México e do Canadá que não cumpram os critérios do acordo USMCA também enfrentam taxas elevadas.
As perspetivas para os EUA foram, por isso, severamente revistas: o crescimento previsto caiu para 1,5% em 2025, refletindo a queda do investimento empresarial face à incerteza económica.
Os efeitos fazem-se sentir além-fronteiras: o México deverá estagnar, o Canadá enfrentará desafios significativos e a Europa continuará a crescer a um ritmo lento, de apenas 0,9%.
A China, embora menos afetada, também sofre com a quebra nas exportações para os EUA, devendo crescer 4,3% este ano.
O estudo destaca ainda a pressão sobre a indústria transformadora, que poderá entrar em recessão no segundo semestre de 2025.
Várias empresas anteciparam produção para fugir aos novos custos aduaneiros, mas o investimento em equipamento deverá recuar, provocando uma redução significativa na atividade industrial.