Um teste genético poderá permitir que milhares de doentes com cancro da mama evitem a quimioterapia sem comprometer a eficácia do tratamento, segundo dados apresentados num grande estudo internacional.
O ensaio clínico OPTIMA envolveu mais de 4.400 participantes de vários países e avaliou a utilização do teste genómico Prosigna, que analisa a atividade de 50 genes do tumor para estimar o risco de reaparecimento da doença.
Os resultados indicam que os doentes classificados como tendo baixo risco de recidiva apresentaram taxas de sobrevivência livre de cancro muito semelhantes às dos que realizaram quimioterapia. Isto sugere que uma parte significativa dos pacientes poderá ser tratada apenas com terapêutica hormonal após a cirurgia.
A quimioterapia continua a ser essencial em muitos casos, mas pode provocar efeitos secundários importantes, como fadiga intensa, náuseas, queda de cabelo, alterações cognitivas e problemas de fertilidade. A possibilidade de evitar este tratamento quando não traz benefícios relevantes representa um ganho significativo na qualidade de vida dos doentes.
Os investigadores consideram que estes resultados reforçam a importância da medicina personalizada, permitindo adaptar as decisões terapêuticas às características biológicas de cada tumor. Se os dados forem confirmados e integrados nas futuras orientações clínicas, o teste poderá tornar-se uma ferramenta importante para reduzir tratamentos desnecessários em doentes com cancro da mama em fase inicial e de baixo risco.