UNICEF apela a investimento urgente para proteger crianças

A UNICEF lançou esta quarta-feira o apelo Humanitarian Action for Children 2026, alertando para uma escalada sem precedentes das necessidades humanitárias das crianças em todo o mundo.

Conflitos cada vez mais intensos, fome crescente, cortes globais no financiamento e o colapso de serviços básicos estão a colocar milhões de menores em risco. Para 2026, a organização necessita urgentemente de 7,66 mil milhões de dólares para prestar assistência vital a 73 milhões de crianças em 133 países e territórios — incluindo 37 milhões de raparigas e mais de 9 milhões de crianças com deficiência.

Segundo a UNICEF, as crianças apanhadas em situações de emergência enfrentam crises sobrepostas que se tornam mais graves e mais complexas. Conflitos armados estão a provocar deslocações massivas e a expô-las a violações graves dos seus direitos, num nível sem precedentes. Escolas e hospitais continuam a ser alvo de ataques, enquanto casos verificados de violência sexual contra menores aumentam de forma alarmante. Em muitos cenários, tanto as crianças como os trabalhadores humanitários são deliberadamente visados.

A organização alerta ainda que o ambiente global de financiamento humanitário se deteriorou drasticamente em 2025. Cortes anunciados ou esperados por governos doadores já limitaram a capacidade de intervenção da UNICEF, forçando reduções severas em programas essenciais. Só na área da nutrição, um défice de 72% no financiamento levou à redução do número de mulheres e crianças a apoiar em 20 países prioritários. Na educação, a falta de 745 milhões de dólares deixou milhões de crianças em risco de perder acesso à aprendizagem e a um mínimo de estabilidade.

Apesar das restrições, a UNICEF afirma estar a adaptar-se a um contexto humanitário em rápida mudança. As prioridades incluem reforçar intervenções vitais, fortalecer a preparação para crises, trabalhar mais estreitamente com governos e atores locais, e intensificar a diplomacia humanitária para garantir acesso às populações isoladas. A organização estima que mais de 200 milhões de crianças necessitarão de ajuda humanitária em 2026, muitas delas presas em crises prolongadas que comprometem o seu futuro.

Perante este cenário, a UNICEF apela aos governos, doadores públicos e parceiros privados para que aumentem o investimento nas crianças, privilegiem financiamento flexível e plurianual, reforcem respostas lideradas localmente e removam barreiras que dificultam o acesso humanitário. Sem esse apoio, alerta a diretora executiva Catherine Russell, os menores continuarão a “pagar o preço de orçamentos humanitários cada vez mais reduzidos”, num momento em que as necessidades atingem níveis extremos.

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