O Fundo das Nações Unidas para a Infância ( UNICEF ) alerta que quase metade das crianças do planeta — cerca de 1,1 mil milhões — está atualmente exposta a pelo menos três ameaças climáticas simultâneas, como ondas de calor, secas e calor extremo. A conclusão faz parte de um novo relatório climático divulgado recentemente pela agência, que analisa o impacto crescente das alterações climáticas na infância.
O estudo indica que praticamente todas as crianças no mundo enfrentam pelo menos um risco climático, enquanto mais de 4 milhões vivem sob exposição a até seis perigos em simultâneo. Entre os cenários mais comuns estão a combinação de seca, calor extremo e ondas de calor, que afetam centenas de milhões de menores em várias regiões do planeta.
Regiões como o Sahel africano estão entre as mais afetadas, com milhões de crianças expostas simultaneamente a calor extremo, poeiras e tempestades de areia. Também em países da Ásia, como Bangladesh, Myanmar e Paquistão, as crianças enfrentam níveis elevados de risco climático sobreposto, muitas vezes agravados pela fragilidade dos sistemas de saúde, educação e proteção social.
O relatório sublinha ainda que mesmo países desenvolvidos não estão imunes, com milhões de crianças na Europa expostas a ondas de calor e secas prolongadas. Além disso, fatores como poluição do ar e doenças sensíveis ao clima, como a malária, agravam ainda mais a vulnerabilidade infantil a nível global.
Perante estes dados, o UNICEF apela à redução urgente das emissões de gases com efeito de estufa, ao reforço da adaptação climática e à proteção dos serviços essenciais para as crianças, como saúde, educação e água potável. A agência defende também maior participação de crianças e jovens nas decisões climáticas, sublinhando que o investimento em resiliência hoje é essencial para garantir o seu futuro.