Violência política contra deputados aumenta em todo o mundo, alerta relatório

Uma maioria de parlamentares em todo o mundo enfrenta ameaças e abusos por parte do público, segundo um novo relatório da Inter-Parliamentary Union (IPU). O estudo revela que 71% dos deputados inquiridos sofreram algum tipo de violência — presencial, online ou ambas.

O secretário-geral da United Nations, António Guterres, tem alertado para os riscos crescentes que ameaçam as instituições democráticas, enquanto o secretário-geral da IPU, Martin Chungong, afirmou que, se o fenómeno não for travado, poderá ter “grandes implicações para as democracias, os parlamentos e os direitos humanos”.

O relatório, intitulado When the public turns hostile: Political violence against parliamentarians, recolheu respostas de deputados de 85 países e analisou casos na Argentina, Benim, Itália, Malásia e Países Baixos. A violência concentra-se sobretudo no ambiente digital: entre 65% e 77% dos parlamentares dos países analisados relataram abusos online. As formas mais comuns incluem insultos, difusão de informações falsas e ameaças diretas.

As mulheres são desproporcionalmente afetadas: 76% das deputadas relataram violência, face a 68% dos homens. O relatório destaca ainda o aumento de ataques com recurso a conteúdos manipulados por inteligência artificial e deepfakes, bem como níveis mais elevados de violência contra parlamentares de minorias raciais, pessoas com deficiência e membros da comunidade LGBTQIA+.

Segundo a deputada italiana Valentina Grippo, a polarização crescente transformou o debate político numa “luta entre identidades”, dificultando a livre expressão de ideias. Muitos parlamentares admitem autocensura, evitam determinadas intervenções públicas e alguns optam por não se recandidatar, o que pode fragilizar a representação democrática.

A IPU apela às lideranças políticas e parlamentares para que definam limites claros no discurso público e impeçam que a intimidação silencie vozes divergentes ou minoritárias. Fundada em 1889, a IPU reúne atualmente 183 parlamentos nacionais e promove a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável a nível global.

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