Retaliação do Irão contra Israel poderá estar para breve

O passado domingo foi marcado por dois acontecimentos relevantes. Por um lado, um ataque preventivo israelita contra o Hezbollah em território libanês, onde, de acordo com o executivo de Benjamin Netanyahu, vários lança-rockets do grupo xiita foram neutralizados, entre outros alvos. Por outro lado, a antecipada retaliação do Hezbollah contra Israel, como vingança pelo assassínio de Fuad Shukr, um alto comandante do Hezbollah, morto em Beirute no mês passado, que envolveu o lançamento de mais de 300 mísseis e inúmeros drones suicidas em direcção a infraestruturas militares israelitas.

Israel considerou o seu ataque preventivo fundamental para evitar danos consideráveis por parte da ofensiva do Hezbollah; no entanto, o grupo xiita rejeitou que Israel tinha conhecimento prévio dos seus planos. Também o Hezbollah considerou as suas operações de domingo um sucesso estratégico e alegou que conseguiu atingir o centro de inteligência Glilot, situado perto de Tel Aviv. O executivo de Benjamin Netanyahu negou estas declarações, rematando que a ofensiva do Hezbollah redundou num fracasso sem danos dignos de registo.

Enquanto ambos os antagonistas celebraram as respectivas operações, as populações em Israel e no Líbano puderam respirar de alívio, mesmo que apenas temporariamente, por estes eventos não terem resultado na tão temida escalada para uma guerra total.

Porém, o Hezbollah indicou que esta foi apenas a primeira parte de uma retaliação que terá mais fases a terem lugar nas próximas semanas, sugerindo que a expansão do conflito não está posta de parte.

Israel não deixou de atacar o Líbano desde essa altura: várias localidades no sul têm sido violentamente bombardeadas, claramente indicando que a retaliação do Hezbollah e as suas tentativas de dissuadir as forças Israelitas de continuar o conflito não são suficientes para impedir as investidas militares de Israel em solo libanês.

Entretanto, estima-se que a retaliação do Irão contra Israel, na sequência do assassínio de Ismail Haniyeh, o líder do Hamas, em Teerão, poderá ocorrer nos próximos dias. Haniyeh foi assassinado há mais de um mês atrás e a demora na resposta iraniana contra Israel tem suscitado várias especulações, incluindo a possibilidade das forças iranianas não estarem preparadas para uma ofensiva efectiva contra o Estado Israelita.

Este compasso de espera imposto pelo Irão tem beneficiado a sua estratégia em dois pontos essenciais: por um lado, o atrito psicológico sobre a população civil israelita, que tem vivido tempos de grande ansiedade enquanto aguarda uma ofensiva militar de consequências imprevisíveis e potencialmente devastadoras para Israel; por outro lado, a pressão sobre o executivo de Netanyahu em encontrar soluções para um cessar-fogo em Gaza, o que tem causado discórdia crescente em Tel Aviv entre altos membros do governo e a Mossad, que tem insistido em acelerar as negociações e aceitar alguns termos propostos pelo Hamas.

Netanyahu tem sido totalmente intransigente nos seus objetivos. O Primeiro-Ministro Israelita tenciona continuar as operações em Gaza (que já causaram mais de 40 mil mortos entre a população civil Palestiniana), expandir a guerra contra o Hezbollah no Líbano e prosseguir com as investidas militares na Cisjordânia, onde ainda há dias atrás, Israel organizou a sua maior invasão desde 2002.

Enquanto Israel vai abrindo novas frentes bélicas numa guerra que dura há quase um ano, o Irão tem sido forçado a considerar vários factores: as consequências do impacto da sua retaliação contra Israel e os riscos de ser responsabilizado por gerar uma guerra total que poderá causar danos colaterais dentro do território Iraniano; a forma como o seu plano nuclear poderá ser afectado caso o conflito ganhe proporções trans-regionais; e os resultados das eleições norte-americanas em Novembro e respectivos resultados políticos que poderão ser fundamentais para o futuro geoestratégico no Médio Oriente.

Dados estes factores, a resposta prometida por Teerão poderá suceder nos próximos dias – embora de forma comedida para evitar uma escalada bélica – ou terá de ser adiada por semanas ou meses, enquanto a guerra de atrito vai causando danos internos para Israel e Netanyahu.

João Sousa, e-Global

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