A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla inglesa) decidiu convocar uma cimeira extraordinária para 20 de novembro, na sequência da grave crise pós-eleitoral que Moçambique está a atravessar.
Recorde-se que têm ocorrido vários protestos no país depois das eleições gerais de 09 de outubro, o que já causou a morte de civis durante o confronto com as autoridades locais.
De acordo com o jornal diário sul-africano “The Citizen”, grupos dos direitos humanos dizem que pelo menos 40 pessoas já foram assassinadas pela polícia nas manifestações realizadas após o anúncio dos resultados eleitorais pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), considerados fraudulentos pela oposição. Os mesmos dão vitória à Frelimo, partido no poder desde 1975, ano da independência do país.
Diversos observadores eleitorais, incluindo os da União Europeia, declararam que o polémico sufrágio foi marcado por falhas graves.
Foi o ministro da Informação do Zimbabué, país que lidera a SADC, quem avançou com a data de 20 de novembro para a reunião da organização regional. “Espera-se que a cimeira seja informada sobre os eventos políticos na região, incluindo as recentes eleições em Moçambique e Botsuana e as próximas na Namíbia”, afirmou Juanfran Muswew aos jornalistas em Harare, capital do Zimbabué.
A instabilidade em Moçambique é vista como uma grande ameaça às economias dos países vizinhos sem litoral, como é o caso do Malawi, da República Democrática do Congo, de Zâmbia e do Zimbabué, uma vez que os mesmos dependem dos portos moçambicanos para as suas importações e exportações.