A Missão de Acompanhamento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia registou, no mês de março, 164 civis mortos e 910 feridos em consequência da intensificação dos ataques, representando um aumento de 50% em relação a fevereiro e de 70% face ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o relatório divulgado na última quarta-feira, a grande maioria das vítimas encontrava-se em territórios controlados pelo governo ucraniano e foi atingida por mísseis de longo alcance e drones explosivos, utilizados pelas forças russas.
A chefe da missão, Danielle Bell, alertou para o impacto devastador do bombardeamento quase diário com drones “suicidas”, que continuam a causar vítimas em várias regiões do país.
Kryvyi Rih foi uma das cidades mais atingidas, tendo sido alvo de vários ataques em março, que provocaram seis mortos e 66 feridos.
Em abril, a violência agravou-se com o lançamento de um míssil balístico sobre um parque infantil, matando 19 civis, incluindo nove crianças, e ferindo mais de 70 pessoas. Segundo a ONU, este foi o ataque mais letal contra crianças desde o início da invasão em larga escala, em 2022.
A Missão também confirmou que dois hospitais foram repetidamente atingidos por drones durante o mês, embora os protocolos de segurança tenham evitado vítimas entre pacientes e profissionais de saúde.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, apelou a uma investigação rápida, completa e independente sobre os ataques.
Por seu lado, o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, reforçou no Conselho de Segurança que o “padrão brutal de morte e destruição” contra civis tem de terminar.
Atualmente, cerca de 13 milhões de pessoas na Ucrânia necessitam de apoio humanitário, sendo a maioria mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência.