Guterres pede investigação à morte de jornalistas em Gaza enquanto aumenta número de crianças mortas por desnutrição

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, condenou a morte de seis jornalistas palestinianos em Gaza no último fim de semana, cinco dos quais trabalhavam para a rede Al Jazeera. Segundo o porta-voz Stéphane Dujarric, os repórteres foram mortos num ataque israelita dirigido contra a Cidade de Gaza.

Guterres pediu uma investigação independente e imparcial, sublinhando que jornalistas e profissionais da comunicação “devem ser respeitados, protegidos e autorizados a exercer o seu trabalho livremente, sem medo nem assédio”. Desde o início da guerra, há quase três anos, pelo menos 242 jornalistas foram mortos no enclave.

Entretanto, o número de crianças mortas por desnutrição em Gaza desde outubro de 2023 ultrapassou a centena, de acordo com autoridades de saúde locais e dados do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Mais de um terço da população passa dias sem comer e mais de 300 mil crianças correm risco grave de desnutrição aguda, alerta o Programa Alimentar Mundial (PAM). A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assinala que apenas 1,5% das terras aráveis continuam acessíveis e não danificadas, revelando o colapso quase total da produção local de alimentos.

A OCHA informou que, embora alimentos e kits de higiene tenham sido recolhidos na passagem fronteiriça de Kerem Shalom/Karem Abu Salem, parte da ajuda foi retirada diretamente dos camiões antes de chegar ao destino, reflexo do desespero generalizado. Para responder às necessidades mínimas de assistência alimentar, seriam necessárias mais de 62 mil toneladas de mantimentos por mês, mas a entrada de suprimentos continua muito aquém do necessário. A escassez de combustível também ameaça operações vitais, com as autoridades de Defesa Civil da Palestina a reportarem que mais de metade das ambulâncias está fora de serviço por falta de combustível e peças.

A ONU apelou a Israel para permitir a entrada de ajuda por todos os pontos e corredores disponíveis, de forma segura e em escala, priorizando os grupos mais vulneráveis, incluindo mulheres, crianças e idosos.

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