Uma nova investigação liderada pela Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) indica que o rastreio do cancro da mama baseado no risco individual é mais eficaz e seguro do que o modelo tradicional de mamografias anuais para todas as mulheres. O estudo, publicado em janeiro de 2026, conclui que a personalização da frequência dos exames, com base em fatores genéticos, histórico de saúde e estilo de vida, reduz a incidência de cancros diagnosticados em fases avançadas sem aumentar riscos para as mulheres com menor vigilância.
Os resultados baseiam-se na primeira fase do estudo WISDOM, que envolveu cerca de 46 mil mulheres nos Estados Unidos. As participantes foram divididas em quatro grupos de risco, que determinaram a periodicidade do rastreio: desde o adiamento do primeiro exame ou rastreios bienais, para mulheres de baixo e médio risco, até exames anuais ou semestrais, incluindo ressonância magnética, para mulheres de risco elevado. Segundo os investigadores, esta abordagem permite concentrar recursos nas pessoas que mais beneficiam do rastreio intensivo.
O estudo revelou ainda que 89% das mulheres que puderam escolher optaram pelo modelo personalizado, demonstrando uma elevada aceitação desta estratégia. Entre as conclusões mais relevantes está também a constatação de que cerca de 30% das mulheres com variantes genéticas associadas a maior risco de cancro da mama não tinham histórico familiar da doença, o que levanta questões sobre as atuais diretrizes de acesso a testes genéticos.
Para os autores, os resultados apontam para uma mudança significativa nas futuras orientações clínicas. A equipa da UCSF sublinha que o rastreio baseado no risco individual pode melhorar a prevenção, reduzir exames desnecessários e aumentar a deteção precoce de casos mais agressivos, abrindo caminho para uma nova era na abordagem ao cancro da mama.