Esta quinta-feira, milhares de funcionários públicos, especialmente militares na reserva, organizaram várias manifestações pelo país inteiro, exigindo aumentos de salários e indemnizações pelo tempo de serviço. Um dos protestos mais importantes ocorreu em Beirute, na noite de quinta-feira, em frente ao Parlamento.
Apesar das manifestações terem ocorrido sem incidentes violentos, alguns manifestantes romperam as barreiras de segurança, ameaçando que os protestos irão intensificar-se caso não haja soluções implementadas pelo governo libanês nos próximos dias.
Durante a sessão parlamentar, o Ministro do Interior e dos Municípios, Ahmad Hajjar, e o Ministro da Defesa Nacional, Michel Menassa, saíram do Parlamento para apaziguar os militares responsáveis pela manifestação. Também em Trípoli, a maior cidade no norte do Líbano, houve protestos vistosos, com soldados na reserva a ocupar a Praça al-Nour, no centro da cidade, e a incendiar pneus para bloquear as artérias principais. Este tipo de manobra foi também usado mais a norte, na região de Akkar, em zonas no Vale do Bekaa e no sul do país, especificamente no distrito de Tiro.
Esta onda de protestos à escala nacional teve início na manhã de terça-feira desta semana, em frente ao Parlamento, continuando na quarta-feira e atingindo o maior número de participantes na noite de quinta.
Os militares na reserva tiveram representação dentro do Parlamento através do ex-deputado Chamel Roukoz, que se reuniu com oficiais militares na presença do vice-presidente parlamentar Elias Bou Saab e o Primeiro-ministro Nawaf Salam. Segundo Saab, o executivo do governo garantiu que chegará a um acordo e respetivas soluções antes do final do mês de Fevereiro. Contudo, a proposta orçamental do Governo Libanês não prevê ajustes fiscais gerais nos salários dos funcionários públicos para compensar a desvalorização da moeda nacional – que tem estado em queda livre desde Outubro de 2019, empurrando o Líbano para a sua pior crise sócio-económica das últimas décadas.
Os militares prometem continuar com protestos e greves nos próximos dias, e terão a participação conjunta de professores e outros funcionários públicos.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir de Beirute