Marrocos aposta numa agricultura de precisão para reforçar resiliência e sustentabilidade

Marrocos está a acelerar a transformação do seu setor agrícola com o objetivo de construir um modelo mais resiliente, eficiente e inclusivo perante os desafios impostos pelas alterações climáticas, pela escassez de água e pela instabilidade dos mercados internacionais. O processo tem sido apoiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, que acompanha o país no financiamento de reformas estruturais e programas de modernização agrícola.

Desde 2008, o país implementou duas grandes estratégias para o setor: o Plano Marrocos Verde e, posteriormente, a Estratégia Geração Verde 2020–2030. O primeiro programa, apoiado com cerca de 500 milhões de dólares pelo Banco Africano de Desenvolvimento, permitiu estruturar cadeias de valor agrícolas, promover o investimento privado e modernizar as explorações agrícolas. Entre os resultados destacados estão a conversão de 366 mil hectares para sistemas de irrigação localizada e a criação de cerca de 3.300 empregos diretos.

A nova estratégia mantém o foco na produtividade, mas coloca maior ênfase no desenvolvimento humano, na inclusão de jovens e mulheres e na criação de valor ao longo das cadeias agrícolas. Neste contexto, foi financiado um programa de 200 milhões de euros para apoiar cadeias de valor agrícolas inclusivas e sustentáveis, com o objetivo de aumentar exportações, atrair investimento privado e dinamizar o emprego rural.

A adaptação climática tornou-se uma prioridade central. Para responder aos episódios recorrentes de seca, foi lançado um programa de 199 milhões de euros dedicado ao desenvolvimento de uma produção cerealífera mais competitiva e resiliente, abrangendo cerca de 980 mil agricultores. O objetivo passa por aumentar a produtividade e reduzir em 20% as importações de cereais até 2030.

A gestão da água assume igualmente um papel estratégico nesta transformação. Através do Programa Nacional de Poupança de Água de Irrigação, apoiado com mais de 53 milhões de euros, dezenas de milhares de hectares passaram a utilizar sistemas mais eficientes, permitindo reduções no consumo entre 10% e 15%. Paralelamente, programas dirigidos ao empreendedorismo agrícola entre jovens e mulheres e ao desenvolvimento das zonas rurais procuram criar oportunidades económicas e reforçar uma classe média agrícola.

Além da produção agrícola, Marrocos aposta também na preservação dos recursos naturais e na diversificação económica das zonas rurais. Um programa florestal financiado em 84 milhões de euros pretende beneficiar mais de seis milhões de pessoas através da recuperação de áreas degradadas, valorização dos recursos florestais e desenvolvimento de novas atividades ligadas às cadeias de valor ambiental e aquícola.

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