Moçambique: Propaganda do Estado Islâmico em Cabo Delgado influencia jovens radicalizados na França

A propaganda produzida pelo Estado Islâmico sobre a insurgência em Cabo Delgado está a alcançar audiências muito além de Moçambique, influenciando processos de radicalização na Europa, segundo o mais recente relatório divulgado pelo Projecto de Monitoria de Conflitos Cabo Ligado.

De acordo com o documento, a ligação entre o Estado Islâmico e os grupos insurgentes que actuam no norte de Moçambique manifesta-se através da divulgação frequente de comunicados, imagens e vídeos sobre ataques realizados em Cabo Delgado.

São publicações de triunfo daquele grupo extremista que são postos a circular publica regularmente detalhando sobre incidentes ocorridos na província, reforçando a sua narrativa de que se trata de Jihad.

O relatório destaca dois casos recentes registados em França. Num deles, um jovem tunisino foi detido em Paris após ser encontrado com documentação falsa. Durante a investigação, as autoridades descobriram material de propaganda do Estado Islâmico no seu telemóvel, bem como indícios de que planeava ataques na capital francesa, Paris.

As comunicações analisadas pelas auditoridades francesas, realça o relatório do Cabo Ligado, sugeriam que o suspeito ponderava juntar-se ao grupo extremista na Síria ou em Moçambique.

Num segundo caso, cinco jovens franceses, incluindo menores de idade, foram condenados por conspiração criminosa. Segundo refere a ACLED, os procuradores franceses, disseram que o grupo abandonou planos para atacar um evento escolar e passou a discutir uma deslocação colectiva para Moçambique, com o objetivo de se juntar ao Estado Islâmico.

Neste caso, o destino identificado pelos jovens era Mucojo, um posto administrativo do distrito de Macomia, centro de Cabo Delgado, uma das áreas severamente afectadas pela insurgência.

Embora os especialistas considerem improvável que estes indivíduos conseguissem chegar a Moçambique, os casos demonstram o alcance internacional da propaganda produzida pelo Estado Islâmico.

Ao que se sabe, confirme tornado público pelas autoridades moçambicana, os combatentes estrangeiros presentes em Cabo Delgado na sua maioria oriundos de países da África Oriental.

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