Uma nova investigação científica divulgada pela plataforma A Conversa revela que os leopardos da Região Florística do Cabo, na África do Sul, constituem uma população geneticamente distinta e evolutivamente singular, separada de outros leopardos africanos há cerca de 20 mil anos. O estudo baseia-se na análise de genomas completos e ajuda a explicar por que estes animais são significativamente mais pequenos do que os restantes membros da espécie.
Segundo os investigadores, esta população terá ficado isolada durante o Último Máximo Glacial, quando alterações climáticas tornaram o sul de África mais frio e seco, limitando a mobilidade e o contacto entre populações. Esse isolamento prolongado levou à divergência genética dos leopardos do Cabo em relação a outras populações do continente.
Apesar do seu reduzido número — inferior a mil indivíduos — e do isolamento geográfico, os leopardos do Cabo mantiveram uma diversidade genética relativamente elevada. Este dado surpreendeu os cientistas, que esperavam encontrar sinais mais fortes de perda de variabilidade genética devido ao tamanho reduzido da população e à pressão humana ao longo dos séculos XIX e XX.
A investigação identificou ainda cerca de 90 genes associados ao tamanho corporal, estrutura óssea e metabolismo que diferem significativamente nestes leopardos, sugerindo uma adaptação ao ambiente local. A dieta baseada em presas mais pequenas e escassas na região poderá ter favorecido a evolução de um corpo mais reduzido em comparação com outras populações africanas.
Os resultados reforçam a importância de conservar esta população como uma unidade evolutiva única, destacando a necessidade de proteger e ligar habitats, reduzir conflitos com humanos e combater ameaças como a caça furtiva e os atropelamentos, de forma a garantir a sobrevivência deste ramo distinto da evolução dos leopardos africanos.