ONU alerta que crise energética agrava a insegurança alimentar e fragiliza economias dos países em desenvolvimento

O aumento dos preços do petróleo e dos fertilizantes, provocado pela escalada do conflito no Médio Oriente, poderá ter graves consequências para os países em desenvolvimento, agravando a insegurança alimentar e reduzindo a capacidade de investimento em áreas essenciais. O alerta consta de dois novos relatórios das Nações Unidas, divulgados na passada segunda-feira, que apontam para um impacto significativo na agricultura, na economia e nas condições de vida das populações mais vulneráveis.

Segundo um estudo conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), caso os preços elevados da energia se mantenham ao longo de 2026, a produção mundial de cereais poderá diminuir 0,9% em 2027. Nos países de baixo rendimento, a quebra poderá atingir 1,7%, devido ao aumento dos custos dos fertilizantes, à redução da produtividade agrícola e às maiores dificuldades na importação de alimentos.

Paralelamente, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima que os subsídios aos combustíveis fósseis poderão atingir 1,1 biliões de dólares este ano, podendo subir para 1,43 biliões de dólares caso o preço do petróleo alcance os 110 dólares por barril. A organização alerta que muitos governos estão a canalizar recursos para conter o aumento dos preços dos combustíveis, sacrificando investimentos em saúde, educação e energias limpas.

As Nações Unidas alertam ainda que a pressão financeira se soma ao peso crescente da dívida pública nos países em desenvolvimento. De acordo com o PNUD, quase metade dos países mais pobres já se encontram em situação de sobre-endividamento ou em elevado risco de cumprimento. Neste contexto, a combinação entre o aumento dos custos da energia e a redução da produção agrícola poderá comprometer o acesso aos alimentos, agravar a pobreza e limitar a capacidade dos governos para proteger as populações mais vulneráveis.

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