Cientistas internacionais desenvolveram um método inovador capaz de prever as zonas com maior probabilidade de ocorrência de escorpiões letais, um avanço que poderá ajudar a prevenir picadas e melhorar a preparação das autoridades de saúde.
A investigação, liderada pela Universidade de Galway em colaboração com a Universidade Ibn Zohr, em Marrocos, combinou trabalho de campo na África com modelação computacional avançada, permitindo identificar os fatores ambientais que determinam onde estes animais perigosos tendem a viver.
Os resultados revelaram que o tipo de solo é o principal determinante da presença de escorpiões letais, enquanto os padrões de temperatura — incluindo médias e variações sazonais — também desempenham um papel relevante para certas espécies.
Nem todos os escorpiões reagem da mesma forma ao ambiente: algumas espécies são flexíveis e ocupam grandes áreas, enquanto outras estão restritas a habitats muito específicos, criando zonas concentradas de risco. O estudo concentrou-se particularmente na região central de Marrocos, considerada uma das áreas com maior incidência de picadas de escorpião no mundo. A metodologia desenvolvida permite, no entanto, estender a identificação de zonas de risco a outras regiões tropicais, incluindo países como Brasil, Índia e nações do Médio Oriente, onde a presença de escorpiões letais representa também uma ameaça significativa à saúde pública.
Segundo os investigadores, estas descobertas podem salvar vidas, permitindo que as autoridades concentrem campanhas de prevenção, formação de profissionais de saúde e medidas comunitárias de proteção, especialmente para crianças e idosos, nas áreas de maior risco.
Além disso, os resultados apoiam o desenvolvimento de antivenenos e ferramentas de diagnóstico mais eficazes, adaptadas às regiões onde os escorpiões perigosos são mais comuns, representando um avanço significativo na proteção das populações vulneráveis em todo o mundo.